LEONORA FINK
1975 - CURSO TÉCNICO DE DESENHO DE COMUNICAÇÃO
 
material cedido pela professora Helena Guedes



colégio industrial iadê
curso técnico de desenho de comunicação apostila nº 3.06.01
disciplina: prática oficina objeto nº d.o.008
assunto: teoria objeto
elaborado por José chaves e equipe


item 2 A DIMENSÃO DAS PROPOSTAS DE DESIGN


01. o designer ao iniciar um projeto, sabe que o objeto a ser produzido não existe isoladamente. este objeto pode ser um cinzeiro, uma caneta, um sapato, enfim qualquer objeto de uso diário, porém que contém em si uma série de implicações. por mais simples que nos pareça o seu uso, por mais simples que nos pareça a forma, não se deve esquecer que para ser atingida essa simplicidade e funcionalidade, esse cinzeiro passou por uma série de pesquisas e estudos. nestes termos estamos falando de um produto industrial, encarado como resultado da PESQUISA e do PLANEJAMENTO – industrial design.

02. se julgamos ser um cinzeiro, uma cadeira, objetos de uso diário que participam e interferem em nossa vida, e se ainda lembrarmos que esta nossa cadeira nada mais é que um exemplar dos inúmeros produzidos, constataremos que o produto industrial penetra de maneira constante em nossa vida.
perda de tempo seria enumerar quantos e quais objetos industrializados nos cercam, e é este o porque do objeto não ser considerado isoladamente e o reconhecimento da enorme dimensão que atinge o design.

03. diversas manifestações ocorrem na produção industrial, e necessário se faz, tomar conhecimento dessa realidade a par de se ter uma idéia formada sobre DESENHO INDUSTRIAL.

04. apesar dos avanços da tecnologia ainda se utilizam métodos na indústria que pouco têm de industriais. poderíamos, isto sim, denominá-los por exemplo, artesanato mecanizado, porque utilizam-se muitas vezes equipamentos mecânicos, que apenas tornam mais rápida a produção do objeto artesanal.

04.1. a esta altura é importante que se tenha um claro entendimento a respeito da diferença entre artesanato e desenho industrial.
o objeto artesanal é executado à mão, ou com a intervenção de um processo mecânico, porém executado PEÇA POR PEÇA.
em cada peça o artesão imprime algo de si, e é esta condição que caracteriza o objeto artesanal.

04.2. já uma das condições básicas da produção industrial é que o objeto seja fabricado inteiramente por máquinas. o produto que, por qualquer razão apresente uma desigualdade, fugindo às previsões do projeto e às especificações do controle de qualidade será considerado FORA DE SÉRIE.

04.3. o objeto artesanal só passa a existir realmente no momento final de sua execução, ao passo que o objeto industrial já está previsto no PROJETO.

05. postos estes conceitos verificamos, no entanto, a existência de objetos com formas puramente artesanais na produção industrial. este fenômeno é denominado kitsch. kitsch é, em última análise, a reprodução de um tipo já existente, fenômeno que se opõe ao desenho industrial, uma vez que este funciona como agente modificador de uma proposta planejada.

06. o styling é outro fenômeno que ocorre na produção industrial. é algo comparável à moda e está intimamente ligado a um processo econômico (consumo). consiste em criar a idéia do obsoleto, com a modificação da aparência do produto. temos um exemplo claro na indústria automobilística, que todo ano apresenta uma nova linha, com uma série de modificações no aspecto, porém sem alterar basicamente o produto.

07. o redesenho é também um recurso de que se vale a indústria, onde o objeto passa por uma reformulação. este recurso é normalmente resultado de uma necessidade que permanece; da modificação dos conceitos estéticos; de novas possibilidades da tecnologia e também como resultado de novos recursos técnicos. podemos acrescentar ainda, que talvez o redesenho perca a validez como uma aquisição imediatista, isto é, alheia a todo um contexto cultural (importação de know how).

08. se tomarmos o desenho industrial como uma preocupação dirigida à melhor adaptação do homem às condições e necessidades existentes, verificaremos que não há realmente um ponto onde termine a interferência do desenho industrial. temos como exemplo a aplicação do desenho industrial na arquitetura, que nada mais é que a própria industrialização da construção, onde são fabricados componentes e mesmo unidades inteiras, é o design na construção.

09. o que se pretende com esta exposição, é mostrar o que se realiza no campo da produção (não se dizendo com isso que se restrinja somente ao exposto), e tendo-se inicialmente conceituado o design, procurar diferenciar o que seja ou não produto de design (planejamento), e tentar mostrar o raio que atinge e pode atingir. deixar claro que há realmente uma interferência dos objetos industrializados no processo cultural, e que essa interferência pode ser dirigida.


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