LEONORA FINK
1980 - CURSO TÉCNICO DE DESENHO DE COMUNICAÇÃO
 
Texto - 1980 - Wilson e Dudu - Propostas Gerais para Equipe de Coordenação

texto cedido pelo professor de matemática, Luiz Fichmann, que trabalhou no iadê de 1974 a 1980.
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Curso técnico de desenho de comunicação - 1980

I – Propostas gerais para equipe de coordenação

I. 1. Quanto à definição do iadê:

a) superação da discussão escola terminal-trânsito, no nível das bases.
b) Discutir e esclarecer as 5 opções de curso (Desenho industrial, arquitetura, Artes Plásticas, Propaganda, Comunicações). O que é o trabalho e suas condições de mercado, como atua o profissional, como levar esses dados ao aluno. (Como formar um Técnico em Desenho de Comunicação).
c) Especificar os objetivos e conceitos utilizados até o momento nos trabalhos desta equipe de coordenação (desde o conceito de “Educação” até os mais específicos).
d) Definir mais operacionalmente as propostas feitas até agora, isto é, colocar onde se pretende concretamente que se chegue com os objetivos levantados.


I. 2. Procedimentos propostos para o item acima: elaboração dos seguintes textos, se possível para a próxima reunião:

a) Texto mais claro e bem fundamentado sobre a “superação da escola/terminal-trânsito”.
b) Texto sobre as cinco opções de curso, que propomos seja elaborado pela área de desenho + diretor pedagógico.
c) Verificar, na reunião de Coordenação o entendimento e existência de consenso sobre os textos já entregues.
d) Promover e organizar e divulgar imediatamente a semana de discussões com o corpo docente, ocasião em que todos estes tópicos deverão ser rediscutidos, aclarados e endossados por todos. A orientação está elaborando texto com proposta de funcionamento dessa semana.

II – a- Propostas gerais para equipe de coordenação

Os objetivos mais gerais que temos são os de levar uma população de alunos a determinadas experiências que lhes permitam crescimento pessoal e profissional. A realização pessoal só acontece quando há um processo ativo de manipulação da realidade (solução de problemas), respondendo às necessidades características dos próprios alunos.
A escola deveria então, fornecer condições do aluno se defrontar com a realidade, problematizá-la, adquirir uma metodologia de reflexão e instrumental para manipulação da mesma.
É essencial ainda que esse processo possa acontecer em meio a relações humanas horizontais e democráticas. O que foi dito acima esbarra em diversos princípios, alguns dos quais serão colocados posteriormente e outros aclarados no decorrer do trabalho de planejamento com toda a equipe. Importante ainda é lembrar que, se nosso objeto é a escola, temos que, considerando os alunos por um lado e a equipe docente por outro, iniciar por esclarecer o melhor possível o que são suas expectativas, suas características e condições de realização de trabalho. E ainda que o trabalho repousa em atitudes claras, que precisam estar suficientemente discutidas por nós todos como equipe, tanto por necessidade de coerência e eficiência de nossa tarefa, quanto em razão de estarem essas mesmas atitudes à base do que pretendemos atingir com os alunos.

II – b- Atitudes básicas a serem trabalhadas:

Tendo em vista objetivos gerais propostos e o documento sobre a definição do que é o técnico de desenho de comunicação, cabe uma discussão aprofundada sobre as atitudes que estão por trás deles e o modo como elas serão trabalhadas ao longo dos 3 anos do curso.
De início pode-se destacar algumas atitudes mais gerais, cujo aprofundamento vai colocar determinantes para seleção de estratégias e conteúdo:

- atitude crítica
- interesse
- responsabilidade
- cooperação
- respeito pelo trabalho próprio e alheio.

Além dessas, várias outras estão por trás dos objetivos estabelecidos pelas disciplinas dentro das áreas, cujo detalhamento se faz necessário para o prosseguimento do trabalho.
Propomos para tanto, que esses pontos sejam discutidos em profundidade na coordenação em primeiro momento e por todos os professores no planejamento.


II – c – Princípios básicos a serem considerados:

a) Aprendizagem como processo ativo

O aluno aprende agindo, ou seja, através da experiência. Pensar é operar, fazer operações mentais. Deve-se então criar situações através das quais o aluno possa construir as operações que deve adquirir. A problematização de um assunto ou situação é que vai dirigir o processo de investigação do aluno, dando os dados para novas operações, e então a solução de problemas que é o que constitui a aquisição de conhecimento.

b)Integração

Importante explorar os pontos de ligação entre as diversas disciplinas, estimulando a integração que “a cabeça do aluno faz”. Assim, (a) – a linguagem em suas diferentes formas como abordagens da realidade, (b) – o pensamento lógico que está no indivíduo e pode e deve ser reconhecido como organização de percepção da realidade, (c) – o método científico deve ser aplicado a todos os campos do conhecimento como discussão de seus limites, sua aplicação, sua “verdade”, sua “relatividade”, etc.
O importante é que o aluno desenvolva um comportamento operatório.

c) Escola é vida e não preparação para a vida

Nessa medida, o ensino deve levar em conta o ser integral e não só o racional e preparar experiências que auxiliem o indivíduo partindo destas experiências, crescer e transcender sua existência imediata.


II – d – Proposições para as séries:

Existem “objetivos terminais” de educação que podemos colocar como alvo a ser atingido plenamente no final do processo. No entanto, é importante que sejam colocados e discutidos para que possam nortear a seleção de estratégias desde o início, uma vez que constituem, na verdade objetivos gerais do curso:

- Técnicas pedagógicas variadas e progressivamente mais complexas;
- Independência e auto-regulação;
- Auto-avaliação e auto-disciplina;
-Trabalho em equipes;
-Maior integração inter-disciplinar e escola-sociedade.

Assim, espera-se que esses objetivos finais decorram mais diretamente nos objetivos e estratégias específicos do 3º ano, sendo preparados, no entanto, desde o 1º.

1) 1ª série
Cuidadoso ingresso do aluno na escola, na área de comunicações, introdução aos professores colegas e funcionários. ALUNOS CHECAM ESCOLA.

- Orientação teria um contato bastante intenso com os ingressantes, inclusive com conversas e discussões em classe cada quinze dias, 2 módulos aula.
- Conteúdo e estratégias: os professores, funcionando mais como monitores, auxiliados pela orientação, partiriam do senso comum, da vivencia e percepção dos alunos, para a problematização da realidade e introdução à linguagem, lógica e metodologia.
- Introdução cuidadosa ao trabalho de grupos, e outras estratégias e métodos de estudo.

De início o estudo deveria ser mais dirigido, com um contato professor-aluno mais próximo, os conteúdos do estudo e exigências colocados passo-a-passo. Orientação para aquisição progressivamente maior de técnicas de trabalho. É importante o contato com diferentes técnicas, instrumentos e materiais de trabalho.


2) 2ª série
Ainda cuidado com o ingresso dos alunos ao 2º ano, aos novos professores e à área de comunicações.

_ Orientação teria contato mensal com os alunos iniciando na primeira semana, em classe, de 2 módulos aula.
- Conteúdo e estratégias: professores funcionando + como monitores, auxiliados pela orientação, partiriam do senso comum da vivencia e percepção dos alunos, para a problematização da realidade e envolvimento da linguagem, lógica e metodologia próprias a cada disciplina como forma de manipulação da realidade.
- Desenvolvimento das técnicas de trabalho em grupo e novas estratégias e métodos de estudo progressivamente + complexos (importante, nos 2ºs anos de 1980, que se inicie por técnicas mais simples e rapidamente se proponham novas).


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